Paulo Danei, dal 1720 a hoje: 300 anos de luz  

Estamos em janeiro de 1964 quando em Ovada, região italiana da província de Alessandria, nasceu Paulo Danei aquele que será o homem com um coração repleto de muitos valores, desejos, sonhos, integridade humana e espiritual.

Paulo nasce e vive numa família radicada na fé cristã, que lhe ensina o que significa ser crente nos aspetos concretos da vida de cada dia, e é por isto que desde pequeno manifesta uma peculiar atenção com o próximo, tem uma personalidade forte – por vezes rude e austera – mas nunca se privou de estar atento à necessidade do outro.

 A família numerosa incrementa nele o sentido da solidariedade e da fraternidade de um modo muito elevado, que une de modo constante o seu coração sempre às necessidades dos outros.Paulo realiza várias experiências e tem a vantagem de ser formado. Recebe, de uma outra forma, a possibilidade de viver de um modo rico, mas renuncia a qualquer herança porque deseja fazer da sua vida algo de diverso…

Paulo não tem um conhecimento exato da realidade que está subjacente à pequena chama que lhe destrói o coração e não sabe, naquele momento, delimitá-la bem e delineá-la nos seus traços distintivos. Mas sabe que é algo de maior, qualquer coisa que o chamará a cumprir um desígnio que ele absolutamente não conhece, mas que sente de um modo encoberto presente na sua alma. aulo não tem um conhecimento exato da realidade que está subjacente à pequena chama que lhe destrói o coração e não sabe, naquele momento, delimitá-la bem e delineá-la nos seus traços distintivos. Mas sabe que é algo de maior, qualquer coisa que o chamará a cumprir um desígnio que ele absolutamente não conhece, mas que sente de um modo encoberto presente na sua alma. 

Paulo não compreende naquele momento que aquela chama dará à história, à Igreja, à Itália e ao resto do mundo, quando conhecido, uma pincelada de fé vida e de um amor nítido capaz de possuir em si – através dos tons cromáticos que das cores frias passam àqueles mais quentes – o coração do homem na sua essência perante o mistério de amor maior que Deus poderia dar à humanidade: o Senhor Crucificado.  Ovada é o berço que acolhe o corpo de um menino que depois, da rapaz e homem, deixará um rasto de luz na história. 

A sua infância e juventude são caraterizadas pela experiência de vida que lhe permitem maturar dentro de si os aspetos belos da doação e sacrifício, mas também os aspetos mais penetrantes do sofrimento e da mortificação. Foi alimentado com os valores cristãos que fazem dele um homem capaz de viver com o coração. A preparação humana e virtuosa que Paulo vive na sua família e no trabalho, conduzem-no a uma maturidade exemplar que ele descreve como “renascimento e conversão espiritual”.  É um homem inquieto porque é uma pessoa essencial e existencial, atento às tonalidades da vida que por vezes são frangíveis e adoráveis, outras vezes são densas e lamentáveis. É inquieto porque tem uma força incrível e alegre de viver, uma paixão, no seu coração que não lhe permite dar agora (em pequeno e jovem) a explicação das caraterísticas do seu futuro.  A chama que tem em si é para ele um desafio e um tormento, é ternura e algo que o desfaz, é um impulso e um bloqueio até ao período em que começa a ter grandes iluminações espirituais na sua vida – renunciando à sua herança e a um futuro indubitável – e decide dedicar a sua vida ao Senhor porque compreende que aquela pequena chama tem os lineamentos de um Arbusto ardente que nunca se consome, que arde sempre, e que é o amor de Deus, um amor manifestado apaixonadamente e conscientemente na Paixão do Senhor. 

A aspiração no seu coração começa a cintilar as aparências distintivas da sua vocação, e assim no dia 22 de novembro de 1720 Paulo veste o hábito de penitência das mãos do Monsenhor Gattinara. No dia 23 de novembro do mesmo ano vive o seu primeiro retiro num espaço muito pequeno anexado à sacristia da igreja de São Carlos – em Castellazzo – onde escreve a regra e o diário. E é esta a experiência mística de 40 dias, conhecida como a experiência de Castellazzo.  Ovada é o berço da sua existência humana, Castellazzo é o berço e origem da sua subsistência vocacional e religiosa.  Nos finais de agosto de 1721 vai a Roma para obter a aprovação da Congregação, mas não consegue falar com o Papa e dirige-se a Santa Maria Maior onde – na capela Salus Populi Romani – assume o voto de propagar a Memoria da Paixão de Jesus. 

A 14 de setembro de 1737 inaugurou o primeiro retiro da Congregação dedicado à Apresentação de Maria ao Templo, no Monte Argentário come recordação do voto assumido na capela Salus Populi Romani e como manifestação do seu amor filial nos confrontos da Mãe que é guia da Congregação.  No dia 5 de maio de 1741 Bento XIV aprovou o testo da Regra, e no dia 11 de junho Paulo faz a sua profissão e passa a chamar-se Paulo da Cruz. 

De 1744 a 1761 verifica-se a expansão da congregação.  No ano 1768 vive o fenómeno místico do abraço do Crucificado e em 1775, envolvido pela graça de Deus e fiel ao dom recebido, morre na Basílica dos Santos Giovanni e Paulo, em Roma.  «A Congregação da Paixão de Jesus Cristo foi fundada em 1720. Os seus membros, conhecidos como “passionistas”, (sacerdotes, irmãos, monjas, irmãs e leigos) fazem o voto de propagar e proclamar o amor de Deus pelo mundo revelado na Paixão de Jesus Cristo, desde à três séculos, continuando a anunciar hoje uma mensagem de compaixão e esperança em 61 países do mundo.  O carisma de Paulo da Cruz, permite a descoberta da unidade da vida e do apostolado na Paixão de Jesus. Cada Passionista é chamado a partilhar a vida e a missão daquele que «despojou-se de si mesmo, assumindo a sua condição de servo», contempla Cristo na oração assídua. 

A participação do Passionista à Paixão de Cristo, que é ao mesmo tempo pessoal, comunitária e apostólica, é manifestada com o voto específico. Com tal voto o Passionista dispõe-se a promover a memória da Paixão de Cristo com a palavra e com as obras, para aprofundar o conhecimento do seu significado e do seu valor por cada homem e pela vida do mundo.  Com este vínculo a Congregação assume o seu lugar na Igreja e consagra-se para cumprir a sua missão.  Os Passionistas vivem os conselhos evangélicos à luz deste voto e procuram torná-lo concreto na vida de cada dia. Deste modo as comunidades tornam-se fermento de salvação na Igreja e no mundo e fazem memória da Paixão de Cristo hoje.  A missão dos Passionistas está associada à evangelização mediante o mistério da palavra da Cruz para que todos possam conhecer Cristo e a força da Sua ressurreição»1. 

À luz desta paixão pela humanidade que encontra o seu fundamento na Paixão de Jesus pelo homem, e considerando como e quanto é necessário pregar e evangelizar tingindo o mundo, com as suas alegrias e as suas dores com o vermelho do amor apaixonado de Cristo, nasceu a Cattedra Gloria Crucis.  «A Cattedra Gloria Crucis, constituída por iniciativa da Congregação da Paixão de Jesus no ente jurídico CIPI (Comunità interprovinciale dei Passionisti d’Italia), tem como objetivo promover a memoria da Paixão de Cristo e de aprofundar o conhecimento do seu significado e do seu valor por cada homem e pela vida do mundo. A Paixão de Cristo – “a  maior e  estupenda obra do amor divino” (S. Paolo da Cruz) -, torna-se o remédio mais eficaz para os males do mundo. Nisto está toda a força da sua particular missão na Igreja: “Nós pregamos Cristo Crucificado” (1Cor 1, 23), do qual também proclamamos: “Ressuscitou” (Mt 28,6). O conhecimento da Paixão de Cristo e dos homens constitui o único mistério da salvação. A Cattedra é uma estrutura operativa interdisciplinar e cada atividade desenvolvida é feita com a atenção do Reitor pro tempore da Pontifícia Universidade Lateranense, que autoriza a execução do plano anual de atividades proposto pelo Diretor da Cattedra»2.

  Desde 1720 – data da fundação da Congregação dos Passionistas – até hoje decorreram 300 anos de história, de santidade, de amor, de memoria passionais, de vida doada ao serviço da humanidade.  Numerosas são as iniciativas e celebrações previstas e organizadas para este Jubileu, entre estas do IV Congresso teológico internacional para o Jubileu do terceiro centenário da fundação da Congregação Passionista: A Sabedoria da Cruz num mundo plural que acontecerá na Pontifícia Universidade Lateranense de 21 a 24 de setembro de 2021. O Congresso é um evento no evento que procura estender e intensificar os horizontes da espiritualidade passionista num mundo globalizado e pluralizado; é uma oportunidade de evangelização e de pastoral qualitativamente profunda porque – com os temas tratados e com os relatores indicados – oferece uma gama dúctil, eficaz, eficiente e funcional  qualitativamente de conhecimento e comparação. 

1. Cfr http://www.mapraes.org
2. Cfr https://www.pul.it/it/cattedra-gloria-crucis